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Ao meu doce Ale.
Meu gatin sentirei saudades, esteja eu onde estiver quero lhe ver bem, feliz, alegre como sempre foi, que contagie as pessoas que esteja ao seu lado com a alegria do seu sorriso. Resolvi partir por conta própria por vários fatores, são vários sentimentos incrustados em minha alma, muito peso sobre mim e eu não agüentei. Meu coração não era de gelo, era de cristal e se quebrou, perdi minha essência, minha existência não tinha mais razão. Não quero que chore, pelo contrário, quero que sorria, afinal, você me fez feliz com este sorriso. Peço mil desculpas por ter sido fraco, mas a dor falou mais forte. Levo comigo os bons momentos, toda a magia do nosso amor. Obrigado por me ajudar, obrigado por ter passado pelo meu caminho. Viva, seja feliz, ame, seja amado. Beijos, milhões de beijos, eternamente Gui. “Sou grato ao meu destino por tê-lo colocado no meu caminho”. Nunca te esqueças que EU TE AMO, e amarei por toda a eternidade. “Saudade é a certeza de ter vivido e sentido o que algum dia, em algum lugar, nos marcou pra valer”. Foi a ultima carta que escrevi para a pessoa que amo, acredito não ter escrito tudo o que queria, mas foi o que consegui escrever num momento de grande tormenta em minha mente. Decidi dar fim em minha vida, e estava prestes a fazer, as vezes o amor em nosso peito fala tão alto que pensamos em eternizá-lo de alguma forma, mesmo não sendo a forma mais plausível. Foram muitos erros cometidos durante minha vida, tantos que acreditava não poder corrigir, a única coisa a ser feita era por fim a minha vida, poupando quem eu amo de maiores sofrimentos. Nesse momento deixo a carta em cima da mesa, junto a ela algumas fotografias, lembranças de momentos vividos com muita alegria, deixei também um incenso, meu perfume, e algumas rosas vermelhas. Acendi algumas velas, apaguei as luzes, no som coloquei uma das minhas músicas favoritas. Estava recriando a cena de vários encontros de amor, presenciado pelas quatro paredes daquela sala. Moro no 12º andar de um prédio, e como é estranho as coisas, eu sempre tive medo de altura, nunca gostei de morar em locais altos, mas foi ali o lugar que eu fui mais feliz em minha vida, e seria ali também que tudo teria seu fim. Sentado no parapeito da pequena varanda, local que eu não freqüentava na casa, e agora parecia confortável. Um onda de tristeza misturado as lembranças tomou conta de mim, naquela hora comecei a pensar em cada instante que vivi, da minha infância, até o momento que me preparo para a morte. Momentos depois saltei, foi tudo muito lento, parecia que estava caindo em câmera lenta, ainda me lembro do impacto, e da dor que sentir quando entrei em contato com o chão. - Porque você fez isso meu lindo? As coisas não precisavam ser desta forma, tudo tem uma saída, e eu sempre estive contigo, porque desistir desta forma cara, porquê? Alê estava ali aos prantos, ao lado do meu caixão, falando comigo como se eu a qualquer momento pudesse acordar, como se o amor entre nós falasse mais alto e seria possível me trazer de volta a vida, mas já era muito tarde. Minha mãe aproxima dele para tentar consolá-lo, apesar de também estar desesperada e incrédula com o que estava acontecendo. - Você gostava muito dele não é? - Sim, a senhora não tem idéia do quanto eu amo e amarei seu filho, éramos um só, e agora me sinto vazio com a perda de parte da minha alma. - Tenho certeza que ele também te amava muito, apesar de lhe conhecer apenas agora, meu filho sempre falava sobre ti, e era com um sorriso no rosto e um brilho no olhar que ele citava seu nome. Não entendo porque ele tomou uma atitude desta, ele era tão apaixonado por você, pela vida, pela família. Não me conformo com isso, porque ele não me procurou? Vocês brigaram? - Não, ele estava distante nos últimos dias, não queria falar comigo, estava sempre nervoso, chorava muito e não atendia minhas ligações, na ultima vez que eu estive com ele não conversamos direito ele apenas chorava, mas não demonstrava que estava com raiva de mim, até então entre nos estava tudo muito bem. Percebi que alguma coisa estava acontecendo com ele, tentei conversar, mas ele apenas chorava. - Estou sofrendo tanto por ter deixado ele vir para cá, mudar de cidade, morar sozinho. Mas era a vontade dele, e eu não poderia ser contra, mas às vezes penso que tudo poderia ter sido diferente, não consigo ter paz no meu coração, não sei como conviver com a perda do meu filho amado. Preciso saber a causa para tanto desespero. - Também gostaria de saber, às vezes penso na possibilidade de ser minha culpa, será que dei a atenção que ele precisava? Mas foi ele mesmo que não quis falar comigo, tentei de todas as formas falar com ele, Deus sabe o quanto tentei. Mas a dor da culpa fala tão alto, não sei como lidar com isso ainda, e a dor é muito grande. Voltando para minha face desconfigurada ele continuou falando: - Meu menino, apesar de tudo ainda sinto você vivo dentro de mim, e ali para sempre vai estar, daqui a pouco não vou poder mais te ver, a única coisa que me fará lembrar de ti será as lembranças, mas saiba que estaremos conectados para sempre por nossa alma, mas a dor é tanta. Porque meu menino, porque fez isso comigo? Preciso tanto de ti, e você me deixa aqui sozinho? O que te fez chegar a tal ponto? Acorda fala que tudo isso é uma mentira, sorria para mim, abra os olhos e me diz que isso é um pesadelo, não me deixa aqui cara, por favor, preciso tanto de você. Meu amigo se aproxima dele e fala: - Esta na hora. Vamos ter que fechar o caixão, Alessandro. - Está bem, apenas quero me despedir dele, posso? - Claro, mas seja breve. Ele olhou profundamente nos meus olhos fechados e num gesto de desespero ele desabou sobre meu corpo: - Não vai embora, fique comigo, ainda temos tantos desafios pela frente, eu lhe imploro meu menino, fique comigo. Estou com tanta raiva de ti, como você me deixa sozinho, como me faz sentir assim, te amo tanto, tudo poderia ser diferente. É, você não quer voltar para mim mesmo? Te amo muito, não se esqueça disso, e um dia ainda estaremos juntos. Vai com Deus meu menino. Ele abraçou meu corpo como se fosse e na verdade seria a última vez que iria me ver. E aos poucos foi se afastando, deixando para trás a esperança de me ter novamente. No momento que estavam fechando minha urna, minha mãe não agüentou e desmaiou, foi muita pressão para ela. Todos estavam emocionados, e indignados com o que estava acontecendo, ninguém consegui entender o motivo, e na verdade somente eu sabia porque cheguei ao extremo e preferi seguir esse caminho. | ||
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